sábado, 22 de janeiro de 2011

hoje, aujord'hui, today

          Me arrependo infinitamente de ter deletado meu antigo blog. Apesar de utilizar o twitter para ter desabafos momentâneos e diários, são apenas 140 caracteres para definir o que você pensa, como você pensa... E as vezes, somente textos, podem tirar de verdade o que existe aqui.
          Esse blog tem uma função bem egoísta, que é só me satisfazer. Não há a necessidade de ser apreciada, opinada e etcetera. E assim, com esta introdução, finalmente irei desenvolver o texto.
          Minha vida, no último ano, foi bem catastrófica e ao mesmo tempo satisfatória. Falando de 2010: Em fevereiro, estava com graves problemas de adaptação, segurança e amor próprio. E, honestamente, eu não era madura naquela época. Eu era uma criança aprendendo a lidar com novas situações, e sinceramente não achei que seria diferente pelo fato de estar morando em outra cidade.
          Em março, cometi alguns erros e confessei algumas verdades que me fizeram lembrar da minha infância. E, lembrando da minha infância, vem o ato que é a grande questão da minha vida até hoje. Não citarei aqui por questões de privacidade, mas, infelizmente, é o que me faz gastar aproximadamente 5 horas por semana na frente de mulheres antes desconhecidas, que são pagas para ouvir e opinar na minha vida. Não que isso me satisfaça completamente.
          Em abril, tive um mês típico adolescente, que se resumia em madrugadas alcoolizadas, confissões e muita comida.
          Em maio, mês no qual eu acabei me "descobrindo", fortaleci amizades e principalmente lidei com as preparações da minha grande e tão sonhada festa de 15. Inseguranças, irritações, manias... Sem mais.
           E junho... Ah, junho. Depois de junho eu perdi a noção de tempo, de obsessão e de paixão. Eu honestamente achei que estava no paraíso, tive a festa perfeita de 15 anos, tinha um namorado lindo, carinhoso e fiel. Meus amigos estavam ao meu redor, e os "issues" haviam amenizado por um período. Eu estava cegamente e irrevogavelmente feliz. E, ei, posso me render aos clichês? "Não valorizei o que tinha". Ou melhor, como li em algum lugar, você sabe o que tem, e o quanto isso é bom, só que não tem noção de que vai perder.
           Os meses foram passando, as doses de ácido valproico aumentando... Pois o meu "issue" (vou chamar assim, pode?)  havia ficado crítico. A quetiapina havia sido inserida, em casos emergenciais. Ah, sem pular julho, que sempre é difícil. Porque mamãe, quando fica fácil sem você aqui? E estavam fazendo 7 anos. O segundo semestre de 2010 foi de descobertas, felicidades, comilanças, beijos apaixonados, confissões, ligações, choros... Eu senti tudo o que um ser humano pode sentir em 6 meses. Amor, arrependimento, paixão, indecisão, felicidade, tranquilidade, insegurança, desespero, pânico, saudade... E tantas outras coisas. É difícil tentar resumir tudo isso em palavras... Como a dona Rosinha disse, em um sonho meu, "antes de amar qualquer outra pessoa, você deve amar a si mesma". E pior? Ela está certa. Renato Russo está certo, Elis Regina está certa. "Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo" e "ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais".
             Eu queria tanto saber que minha mãe está em paz. E que ela não sofreu o tanto que eu sofro... Porque né, dizem que é genético. As vezes eu paro pra pensar o quanto eu disse pra sempre... Sendo que eu sei que a única coisa eterna é o fato de que eu não tenho mãe. E nunca terei. Mas também não serei fútil de viver a vida como ela gostaria que eu vivesse, porque nem nossos pais estão certos as vezes... E você tem que confiar em si mesmo.
             Enfim, este é o meu primeiro texto de (talvez) muitos. Minha dor de hoje? Não sei se aliviou-se ainda. Porque para aliviá-la... Vai muito além de expô-la.

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